Paolo Angeli Solo 

Paolo Angeli – guitarra da Sardenha preparada, voz 

Nascido em 1970, num ambiente musical extremamente estimulante, Paolo Angeli cresceu em Palau, pequeno porto no norte da Sardenha com vista para as 12 ilhas do arquipélago Maddalena. começou a tocar guitarra aos nove anos. A guitarra e a voz do pai, seu primeiro mentor, as bandas de rock da aldeia, a experiência em concertos nas praças da aldeia, e todas as noites de Carnaval apontavam numa direção que evitava as barreiras estilísticas na música. Em 1989, mudou-se para Bolonha e começou a tocar com vários grupos de música contemporânea praticando composição coletiva e improvisação, participando nos principais festivais europeus de música inovadora. Em 1993, conheceu Giovanni Scanu — lendário guitarrista da Sardenha que morreu aos 95 anos — com quem aprendeu as formas e as componentes do canto a chitarra gallurese e logudorese, antigas canções nos dialetos sardos de Gallurese e Logudorese, tradicionalmente acompanhadas por guitarra. 

Deste choque entre a vanguarda e a tradição popular, surgiu a guitarra da Sardenha preparada de Angeli: um instrumento com 25 cordas – um híbrido entre a guitarra barítono, violoncelo e bateria, repleto de martelos, pedais e hélices de afinação variável. Desde 1997, Paolo Angeli realiza concertos em todo o mundo com a sua guitarra modificada tocando nos festivais mais importantes e teatros da Europa, Japão, Austrália, América do Norte e do Sul, Rússia e África. Gravou mais de 50 discos e colaborou com Pat Metheny (que usa Guitarra de Angeli em Orchestrion), Fred Frith, Hamid Drake, Iva Bittová, Butch Morris, Ned Rothenberg, Jon Rose, Derek Gripper, Antonello Salis, Evan Parker, Takumi Fukushima, Louis Sclavis e Paolo Fresu, entre outros. 

Formado em etnomusicologia, digitalizou o Archivio Mario Cervo, a mais importante colecção de discos e música tradicional da Sardenha. Como investigador publicou Canto in Re, um volume de análise histórica do cantu a chittera. Junto com Nanni 

Angeli, é responsável pela direcção artística do Isole che parlano, Festival Internacional de Artes que acontece em Palau desde 1996 e cuja programação eclética navega entre a inovação e a tradição. Angeli vive actualmente entre a Sardenha e Valência, sempre em frente ao mar. 

Local: Auditório da Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa

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José Soares / Kit Downes 

José Soares – saxophone alto 

Kit Downes – piano 

É no plano completamente actual da música improvisada que podemos situar os dois músicos deste concerto, o saxofonista Português (nascido no Luxemburgo) José Soares, e o pianista Inglês (residente na Alemanha) Kit Downes. Para eles, a liberdade significa, per se, construir algo novo a partir de um nada que até pode ser tudo. A verdade é que nesta música a improvisação e a composição podem ser perfeitamente indissociáveis ou uma coisa só, como se o ato de tocar fosse o de compor e o de compor fosse o de improvisar. 

Num encontro casual em Amsterdão ficou plantada a ideia de um dia fazerem música juntos e esse dia, para nossa sorte, chegou em forma de desafio ao José Soares para convidar alguém para um duo no festival Causa Efeito.   

 

José Soares é um destacado saxofonista e compositor português, atualmente residindo entre Amsterdão e Lisboa. Após concluir a licenciatura em Performance de Jazz na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE, Porto), mudou-se para Amsterdão, onde prosseguiu os seus estudos no Conservatório local. É presença constante na cena do jazz, da música improvisada e contemporânea, apresentando-se nos festivais mais prestigiados da Europa com os mais diversos grupos.  

Integra regularmente os grupos Carlos Bica 11:11, João Mortágua Axes, Teis Semey Quintet, Fuensanta Ensamble Grande, Guy Salamon Group, Federico Calcagno Octet e Old Mountain, entre muitos outros. Lidera o quarteto SOMA, projeto comissionado pelo Festival Guimarães Jazz, em parceria com a Associação Porta-Jazz. Co-lidera também o trio Perselí, com Fuensanta Mendéz e Alistair Payne — e álbum de estreia lançado pela editora de Los Angeles, Minaret Records, em 2022 —, e o trio VASUS, com o pianista Harmen Fraanje e a baterista Sun Mi Hong, com disco de estreia previsto para 2024. 

Em Dezembro de 2024 recebeu o Prémio “Artista do Ano” pela RTP/Festa da Jazz; foi também solista convidado da Orquestra de Jazz de Matosinhos (OJM), em 2018, e professor convidado no Koninklijk Conservatorium den Haag, nos Países Baixos, em 2023. Atualmente lecciona no Curso de Jazz e Música Moderna da Universidade Lusíada de Lisboa e na Escola de Jazz Luiz Villas-Boas – Hot Clube de Portugal; foi colaborador e convidado na Royal Conservatoire The Hague e na ArtEZ University of the Arts em Arnhem, Países Baixos. 

José Soares é a autêntica personificação da coolness, um saxofonista que grita com a mesma tranquilidade com que sussurra, que segreda com a mesma ferocidade com que clama — todo ele nervo, mas todo ele também pura elegância.  

Rui Miguel Abreu, Rimas e Batidas 

Kit Downes é um artista solo da editora ECM Records, vencedor do BBC Jazz Award e indicado para o Mercury Music Award. Percorreu o mundo tocando piano, órgão de igreja e harmónium, com suas próprias bandas (‘ENEMY’, ‘Troyka’ e ‘Elt’) e com músicos do gabarito de Squarepusher, Bill Frisell, ‘Empirical’, Andrew Cyrille, Sofia Jernberg, Benny Greb, Mica Levi ou Sam Amidon. Kit realiza concertos a solo de órgão de tubos e piano solo, além de tocar em colaborações com o saxofonista Tom Challenger, a violoncelista Lucy Railton, o compositor Shiva Feshareki, o saxofonista Ben van Gelder e a banda ‘ENEMY’ (com Petter Eldh e James Maddren).  

Escreveu música para encomendas para o Cheltenham Music Festival, London Contemporary Orchestra, Biel Organ Festival, Ensemble Klang no ReWire Festival, Scottish Ensemble, Cologne Philharmonie e Wellcome Trust. Também atuou como parte da produção do National Theatre de ‘Network’ de 2017-2018, com a participação do ator Bryan Cranston. 

Downes é bolsista da Royal Academy of Music de Londres, onde estudou e agora lecciona. Foi premiado duas vezes nas categorias Rising Star da Critics Poll da Downbeat para Órgão e teclado, respetivamente, e os seus discos para a ECM, Obsidian (2018), Dreamlife of Debris (2019) e Vermillion (2022) foram bem recebidos pela crítica. Para a editora de Munique editou ainda dois duetos, com Sebastian Rochford, A Short Diary (ECM, 2023), e com Norma Winstone, Outpost Of Dreams (ECM, 2024). 

Actualmente trabalha com o violinista Aidan O’Rourke, o baterista Seb Rochford, o compositor Max de Wardener, e mantém o trio de órgão Deadeye com Reinier Baas e Jonas Burgwinkel. 

Local: Auditório da Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa

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SPROTCH 

Yedo Gibson – saxofone tenor e soprano 

Alfred Wammer – trombone 

Michael Formanek – contrabaixo
Paal Nilssen-Love – bateria 

SPROTCH é um projecto especialmente concebido para a presente edição do festival Causa Efeito. Este novo quarteto é formado pelo saxofonista tenor Yedo Gibson (MOVE, Luc Ex, RIO), pelo contrabaixista Michael Formanek (Tim Berne, Kris Davis, Ellery Eskelin), pelo baterista Paal Nilssen-Love (Large Unit, Peter Brötzmann, The Thing, Atomic) e por um novo nome, Alfred Wammer, no trombone. Espera-se muita energia crua, e o cumprimento integral do moto deste festival, Causa/Efeito, regra de ouro do free jazz. Os quatro membros são escolhidos a dedo e seguramente virão tocar com ânimo incendiário.  

Paal Nilssen-Love é um dos bateristas mais influentes da cena jazz norueguesa. Através do seu trabalho em diversas bandas e da cooperação com vários dos gigantes do free jazz e improvisação, tem sido uma das pontas de lança do free jazz escandinavo. Músico incansável, Nilssen-Love já gravou mais de 260 álbuns, tem sido figura emblemática de bandas tão notáveis como o Peter Brötzmann Chicago Tentet, Atomic, The Thing, The Quintet, Scorch Trio, School Days, Element, The Quintet, Frode Gjerstad Trio, além das várias bandas que ele próprio lidera.  

Juntamente com Ingebrigt Haker-Flaten, seu parceiro de longa data e colega no Conservatório de Música de Trondheim em 1993, Paal Nilssen-Love ajudou a moldar o novo jazz nórdico, por oposição ao chamado som ECM. Primeiro com o grupo Element e depois com muitos outros como os Atomic ou The Thing. Atualmente compõe, toca e gere os seus grupos Large Unit e PNL Circus com quem tem tocado um pouco por todo o mundo, para além de fazer parte do novo trio de David Murray (com Ingebrigt no baixo), STEAMHOUSE, Sun & Steel, Arashi (com Akira Sakata e Johan Berthling) e Lean Left (com Vandermark e as guitarras dos The Ex). 

Yedo Gibson nasceu em São Paulo e dedicou a maior parte da sua carreira de músico à improvisação livre. Depois de viver em Londres e Amesterdão durante mais de dez anos, mudou-se, em 2016, para Portugal. Gibson é conhecido como um dos improvisadores mais criativos da sua geração e uma das cabeças por detrás do trio EKE, o quinteto Naked Wolf e RIO (Royal Improvisers Orchestra). Para além dos seus próprios projetos, Gibson colaborou com nomes como Marshall Allen, John Edwards, Andy Moor, Ab Baars, Han Bennink, Luc Ex e Steve Noble. O seu projeto principal actual são os MOVE ao lado de Felipe Zenicola e João Valinho, ensemble que recebeu o prémio RTP / Festa do Jazz’24, ex aequo com o saxofonista José Soares. 

Vindo de Oslo, Noruega, Alfred Wammer é uma voz emergente no jazz contemporâneo e na música improvisada. Apaixonado pela exploração sonora e musical, já se apresentou na Noruega com um punhado de bandas como DOLKAR ou o recém-fundado projeto em duo Huligans 

Michael Formanek, nascido em São Francisco em 1958, foi descrito como “um baixista e compositor ousado e inclassificável”. O The New York Times observou que a sua música é sempre “graciosa nas suas subversões, muitas vezes até sumptuosa”. Seja numa small band ou num large ensemble, Formanek cria um jazz que simples e atmosférico, sempre vivo, com melodias pintadas em tons escuros e ritmos profundos, ricos em possibilidades dinâmicas e sempre surpreendente.  

As primeiras gravações de Formanek como líder incluíram uma série de quarteto e septeto, lançamentos para a editora alemã Enja de 1990 a 1996. Como sideman, gravou com Uri Caine, Dave Burrell, Jane Ira Bloom, Gary Thomas, Jack Walrath, Joe Maneri, Harold Danko, Lee Konitz, Freddie Redd, Art Pepper, Chet Baker e até mesmo Elvis Costello, além de aparecer em álbuns de parceiros frequentes como Mary Halvorson, Tomas Fujiwara, Tony Malaby, Tim Berne, Marty Ehrlich, Dave Ballou, Ellery Eskelin, Baikida Carroll e a pianista Angelica Sanchez. 

Nos últimos anos, Formanek tem-se destacado em gravações incontornáveis para editoras como a ECM e mais recentemente a Intakt records. Para a editora de Munique gravou três discos, dois o seu quarteto (com Tim Berne, Craig Taborn e Gerald Cleaver) — Small Places (2012) e The Rub and Spare Change (2010) —, e o terceiro foi o magnífico The Distance (2016), com o Ensemble Kolossus, uma big band de estrelas. Recentemente, na etiqueta suiça Intakt, gravou Time Like This (2018) e ainda As things do (2023) com seu novo Elusion Quartet (com Tony Malaby, Kris Davis e Ches Smith); ainda na Intakt lançou o seu segundo disco para contrabaixo solo, Imperfect Measures (2021).  

Local: Auditório da Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa

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